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Construtora Dallas entra em recuperação judicial


Com mais de 40 anos de atuação no mercado imobiliário de médio e alto padrão, a construtora Dallas teve deferido pela justiça seu pedido de Recuperação Judicial. Com um passivo da ordem dos R$ 23,8 milhões, de acordo com petição inicial feita pela empresa, a construtora não teria condições de honrar com os contratos já firmados por conta da “mais grave crise econômica já enfrentada em nosso País”. Em Pernambuco, a Dallas ainda tem 18 obras em andamento.

Segundo o economista e consultor do processo de Recuperação Judicial da Dallas, João Rogerio, o plano de recuperação está em fase de elaboração e será protocolado no prazo máximo de 60 dias, a contar desde o dia 2 de maio, quando o pedido foi atendido pela justiça. Nos últimos 40 anos, a Dallas foi responsável pela entrega de 3 mil apartamentos em 53 empreendimentos.

Em nota, embora não confirme a entrega dos 18 prédios a serem concluídos, a construtora diz que nas próximas semanas irá iniciar contato com cada um dos adquirentes para “demonstrar a viabilidade de conclusão e entrega das obras, de forma a propiciar alternativas para o recebimento dos apartamentos”.

De acordo com o advogado imobiliário da Severien Andrade Advogados, Eduardo Sales, a orientação aos clientes da Dallas é de que busquem um advogado especialista para acompanhar de perto o andamento do processo de recuperação judicial, pois, diferentemente do que se pensa, durante o período de recuperação judicial a empresa normalmente continua exercendo suas atividades com o auxílio e intervenção de um terceiro, nomeado pelo juiz, na condição de administrador judicial.

“É importante lembrar que é um dever do administrador judicial apresentar nos autos do processo um relatório mensal das atividades do devedor (documento bastante esclarecedor sobre o andamento da recuperação judicial). Vale ressaltar que, no caso de empreendimentos “condomínio fechado”, é possível que os condôminos/adquirentes deliberem pela substituição da construtora contratada diante de um cenário de inadimplemento das regras e condições pactuadas inicialmente”, afirma o advogado.

MERCADO

Mesmo que se trate de um caso isolado, a situação da Dallas reflete o peso da estagnação da economia sobre a construção civil. Só em Pernambuco, conforme os dados do último censo imobiliário feito pela Ademi-PE, em 2018 foram lançadas apenas 2,7 mil unidades residenciais e comerciais contra os 4,6 mil do ano anterior. Quando comparados com os números de 2014 (16 mil) – ano indicado como o início da crise do setor -, a queda ultrapassa os 83%. Ainda no ano passado, as vendas totalizaram apenas 3,9 mil unidades no Estado.


Fonte: http://henriquebarbosa.com, 13.05.2019

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